28mar
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Isso não é Yoga!

Por Pedro Kupfer

Publicado originalmente no site yoga.pro.br

Você já escutou a frase do título dentro da sala de prática, pronunciada por um professor que supostamente deveria ser equânime? Acontece que alguns professores de Yoga têm o hábito de cutucar ou agredir seus colegas com chavões desse tipo. Esses professores, que felizmente são minoria, acreditam piamente que o sistema que eles defendem seja o melhor ou o mais autêntico, ou o mais eficiente, ou o “original”.

Qual é a razão de alguns professores teimar em manter viva a controvérsia “o meu Yoga é o melhor”? Pense aí: é o medo. De um lado, medo de estarem errados na sua crença; do outro, medo de que você vá praticar com o professor da próxima esquina (o que acaba naturalmente acontecendo quando as pessoas percebem o quanto essas atitudes são erradas e desnecessárias).

Diga-me uma coisa: isto soa “yógico” para você? Opiniões e palavras fortes podem dar a impressão de que derivam de um lugar justo e aceitável, mas é bem mais provável que elas nasçam no ódio, na intolerância e no medo de quem as sustenta.

Professores de Yoga que usam salas de práticas e blogs como púlpitos para doutrinação ou descarregar suas frustrações em relação ao que os colegas ensinam ou praticam estão perdendo uma bela oportunidade de praticarem a tolerância, a equanimidade e a aceitação, atitudes sobre as quais a tradição do Yoga sempre se apoiou.

O certo e o errado.

Há lugares e lugares para dialogar, e formas e formas de dizer as coisas. Há condutas dharmikas e condutas adharmikas. As condutas dharmikas devem ser elogiadas e apoiadas publicamente. Gestos de alegria e aprovação devem ser dirigidos às pessoas que as ostentam, segundo o sábio Patañjali recomenda no Yogasūtra:“o psiquismo se purifica cultivando atitudes de amizade, compaixão, alegria e equanimidade, diante da felicidade, do sofrimento, da virtude e da equivocação, respectivamente” (sūtraI:33).

As condutas adharmikas devem ser apontadas, também publicamente, para alertar os demais praticantes para que esse tipo de atitude não prolifere, e para que não se corra o risco de achar que adharma é dharma. Não há nada de errado enquanto a isso. Aliás, errado é se omitir e dar de ombros pensando “isso não me diz respeito”, quando algum atropelo é cometido, em nome do dharma ou não.

Tampouco acho que seja errado debater temas como a maneira em que o Yoga vai evoluindo ao longo do tempo, especialmente na atualidade, quando tantas formas híbridas estão surgindo e tantas distorções acontecendo. Mas, existe uma grande distância entre apontar o errado ou questionar construtivamente uma prática, e se arvorar em único dono da verdade.

Bater ou debater?

Uma coisa é fazer o inevitável comentário jocoso sobre o Yoga do cuspe (que existe de verdade!) ou sobre o Yoga para cavalos, ou manifestar uma justa indignação em relação à mistura de Yoga com pornografia. Outra coisa, muito diferente, é alimentar um discurso intolerante e agressivo em relação a todas as formas e tradições que não sejam a própria da pessoa que fala.

Muitas vezes essa agressividade nasce da insegurança, e esta do medo, e este da ignorância. Assim, a ignorância dá lugar a atitudes infelizes nas quais o professor ataca irracionalmente os colegas que não assinam embaixo do seu credo. O discurso do “Yoga superior” é essencialmente idêntico ao discurso da raça superior, ao da religião superior e aos demais discursos que, historicamente, levaram os seres humanos à guerra e ao genocídio.

Em alguns casos, falta muito pouco para os supremacistas do Yoga chegarem à agressão física, ostentando atitudes típicas de adolescentes inseguros que precisam se afirmar agredindo os demais. Recentemente, recebi uma mensagem através do meu site onde uma pessoa que queria estudar e praticar Yoga, com total justiça, se dizia negativamente surpresa com a banalização, as intrigas e a falta de união que percebeu no nosso meio.

Vamos crescer?

Assim, a minha opinião é que esse tipo de discurso supremacista poderia perfeitamente ser deixado de lado, já que não acrescenta nada ao debate sobre o futuro do Yoga (se é que esse futuro importa para nós), assim como não acrescenta nada (pelo contrário, empobrece), a bela variedade de caminhos e pontos de vista que existem no Yoga.

Cabe lembrar que existem vias diferentes para pessoas diferentes, e cada uma dessas vias merece nosso respeito e aceitação. Quando encontramos a maneira de praticar que nos satisfaz e a visão que sacia nossa sede de conhecimento, deveriamos, igualmente, encontrar a tolerância em relação ao Yoga que os demais caminhantes escolheram.

Assim, acredito, estaremos honrando nossos mestres, e aqueles que vieram antes deles. Estaremos honrando os sábios Vyāsadeva, Patañjali, Śaṅkarāchārya, Gorakṣanatha e toda a linhagem de ṛṣis que manteve viva e nos legou essa visão libertadora. Concluo esta reflexão citando o Ṛg Veda:

“Ó homem que procuras a verdade e a sabedoria,

abre os braços e deixa que o conhecimento

chegue a ti de todas as partes.

A verdade é una e os sábios irão

ensiná-la de diferentes maneiras”.

Pedro Kupfer é professor de Yoga, mora em Mariscal – SC e é editor do siteYoga.pro.br

06fev
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Fonte de Vida

Por Maria Cabral

Ilustração: Huan Gomes

Publicado originalmente no site Iguatemi

A popularidade do sol anda meio apagada ultimamente por acelerar o envelhecimento e representar perigos para uma pele desprotegida. Mas ele é indiscutivelmente nossa maior fonte de energia e nenhum fabricante de protetor solar pode levantar dúvidas sobre seus benefícios.

Na Índia, nosso astro rei é reverenciado como o Deus Surya e é dedicada a ele a sequência de posturas de Yoga praticada em quase todas as aulas, o Surya Namaskar ou Saudação ao Sol.

Ritual de Saúde

Essa sequência com nove posturas tem seus movimentos sempre sincronizados com a respiração, para ajudar na concentração e na circulação de energia vital (prana em sânscrito) pelo corpo. De acordo com a professora de Yoga, Hérica Sanfelice, esses movimentos preparam e aquecem o corpo para práticas de Yoga ou qualquer outra atividade física.

Hérica, que também é personal trainer com especialização em treinamento funcional, lista alguns outros benefícios da sequência:

− estimula a lubrificação de praticamente todas as articulações;
− alonga e fortalece o corpo;
− melhora a circulação sanguínea e aumenta a capacidade de oxigenação das células;
− equilibra o sistema nervoso;
−  favorece a prontidão neurológica.

Por tudo isso, é muito provável que a prática regular da Yoga aumente o nível de energia do corpo e seja eficaz para auxiliar e combater casos de letargia e depressão.

Segue abaixo um vídeo para você experimentar a sequência em casa. Seja responsável pelo seu corpo e pratique com atenção para evitar lesões. E para benefícios extras, lembre-se enquanto pratica, de agradecer ao sol que deixa nossos dias mais coloridos!

 

Maria Cabral pesquisa soluções conscientes para um estilo de vida saudável. Ela também estuda e pratica Yoga e Ayurveda.

04fev
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Ciência da Nutrição – uma herança ancestral

Por Marise Berg
Publicado originalmente no blog Ayurvedicamente

Tive o privilégio de entrar em contato com a ciência pelo caminho oriental. Antes de ser graduanda em Nutrição, sou praticante e eterna estudante de Ayurveda – o sistema tradicional de saúde mais antigo da humanidade.
Em sânscrito, Ayurveda significa Ciência (veda) da vida (ayur). Longevidade, vitalidade, saúde física, mental e emocional, são os objetivos da Ayurveda que percebe a vida com uma jornada de expansão da consciência e de expressão dos nossos talentos naturais em direção à felicidade, prosperidade e liberdade.
A Nutrição é uma das especialidades da Ayurveda e os seus princípios fazem parte dos Upavedas, uma ancestral literatura sobre saúde. A longevidade é citada pelo sábio autor Charak Samhita, como resultado da boa saúde, cuja essência é a dieta. De acordo com o autor, somos o resultado da digestão dos alimentos físicos e/ou energéticos que ingerimos. Eles nutrem o funcionamento bioquímico do corpo, fornecendo os substratos necessários para os processos fisiológicos que nutrem a vida. O corpo físico, por sua vez, abriga e dá suporte energético para mente e a consciência.
Os alimentos são considerados fontes generosas de energia vital (prãnã). Quando adequados para o nosso organismo e à nossa potência digestiva (agni), contribuem decisivamente com a nossa saúde e vitalidade. Nosso bem estar geral, compleição, clareza, voz, longevidade, genialidade, felicidade, satisfação, nutrição, força e intelecto são sustentados pelo que digerimos.
Segundo Samhita, a dieta ideal deve considerar aspectos como a quantidade, a variedade, a combinação entre os alimentos, o método de preparação, o tempo (a idade, o momento das refeições, as fases da vida, a sazonalidade), o local (respeitando características regionais e culturais), a potência digestiva e a genética. Na ciência contemporânea esses mesmos princípios dietéticos são propostos pelo respeitado autor Pedro Escudeiro, que se refere à quantidade, qualidade, harmonia e adequação da dieta.
Além dos aspectos técnicos, pela Ayurveda, a escolha da dieta deve ser sustentável, baseada no conceito de não-violência e compaixão pelos seres vivos, com ênfase no auto-cuidado. É preciso considerar que a escolha da dieta não envolve apenas o comensal e a sua saúde individual, mas, engloba aspectos como o ambiente, o solo, o sol, a chuva, o trabalho de quem planta e colhe, transporta, prepara, além do consumo de recursos utilizados do planeta para a produção dos alimentos.
O alimento é o fruto da vida. A nossa vitalidade e longevidade dependem da relação estabelecida com a nossa dieta individual e coletiva.  Ser Nutricionista, no passado e no presente (e, provavelmente, no futuro) é decifrar a interação dos alimentos com o nosso organismo e despertar nos indivíduos a consciência de que uma dieta ética e saudável tornará a vida mais pacífica, saborosa e cheia de vitalidade.
 Referências
GUPTA. Biogenic secrets of food in Ayurveda. Chaukhamba Sanskrit Pratishthan. Delhi, 1999.

 

Marise Berg Terapeuta Ayurvédica, Culinarista e graduanda em Nutrição

Prãna Spa Ayurvedico, Campos do Jordão/SP: www.pranaspa.com.br

[email protected]

20dez
Em Meditação, Na net

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Meditação

Por Nando Pereira

Publicado originalmente no site Dharmalog

Quão atrativa é a promesa de “desligar o estresse” diretamente onde se pensa que ele está, no cérebro? Não é exatamente uma promessa, mas uma aparente constatação feita numa experiência que a BBC fez com o cidadão inglês Todd German e com a colaboração da pesquisadora Elena Antanova, especialista em estudos sobre o cérebro da universidade londrina King’s College. “Pessoas que meditam seriam capazes de “desligar” as preocupações ou pensamentos negativos”, diz a matéria, intitulada “Técnica pode ‘desligar’ estresse no cérebro” (BBC Brasil).

A experiência a que German foi exposto foi um curso de “atenção plena” para tentar amenizar ou resolver problemas de insônia. German diz ter sentido efeitos positivos, embora não tenha ficado totalmente convencido. Segunda a matéria, a pesquisadora Antanova diz “ser possível mudar a configuração do órgão voluntariamente por meio da meditação, afastando os efeitos danosos do estresse“.

Embora possa ser usada para efeitos magníficos na saúde e para ajudar a combater problemas como o estresse, a meditação tem um potencial muito maior (e talvez mais apropriado) do que se afastar ou “ignorar” propositadamente os fatores que causam desequilíbrios e doenças, como a insônia de Todd German. Manter as circunstâncias psicológicas e físicas degradantes que geram o estresse cronicamente e tentar desligá-lo ao fim do dia, com meditação, pode ser parecido com achar que desligando o alarme de fumaça se resolve um incêndio (*). Auto-conhecimento, paz interior e liberdade de ilusões e apegos são realizações mais saudáveis que a meditação pode contribuir decisivamente, além de mais sustentáveis a longo prazo para condições de desequilíbrio como o estresse. No caso da insônia, pode ajudar num processo de percepção e ação sobre os fatores causadores, colaborando para a recuperação da saúde de maneira mais definitiva e menos paliativa, embora, mesmo que para esse fim, seja benéfico e saudável.

16fev
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Na Net: A chave do tesouro: meditação

“Maharishi diz que “todo homem tem a chance de viver feliz e em paz”. Sua mensagem sempre foi clara e objetiva: todo homem tem, dentro de si, um oceano ilimitado de paz e felicidade. Um tesouro de valor inestimável, o mesmo tesouro, o Reino do Céu interno do Cristo, o Nirvana de Buda, o Êxtase dos santos e dos yogis realizados”

A chave do tesouro: meditação

14fev
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1 Comentário

Na Net: O propósito do Yoga e o papel do professor (Yogaforum.org)

 

O propósito do Yoga e o papel do professor :: Yogaforum.org | Yogaforum.org.

“Obter saúde, respirar melhor, relaxar, combater o estresse, entrar em forma são apenas conseqüências naturais da prática correta do Hatha Yoga, mas nenhum desses resultados são a sua meta.”

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