25abr
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Fertilidade: sua vida é sua herança

Texto e ilustrações: Fabiana Rodrigues Barbosa

 Escrevo este texto mergulhada no aroma do arroz-doce a cozer na panela ao lado. O arroz integral ainda em água fervente com açúcar e canela. Água em precisa quantidade para que se coza bem macio até secar. Posso continuar escrevendo, pois em breve o som da água borbulhando deve tornar-se um pouco mais seco e estalado, me avisando que é hora de desligar o fogo. Neste momento levanto-me, junto o leite quente e os demais ingredientes, que cozinham até o ponto cremoso. Usei uma receita, mas mesmo sendo minha primeira vez não segui à risca. Criei um pouco, intuindo alguns ajustes para meu próprio paladar e benefício. Volto, sento pra continuar o texto. E me pergunto: estarei eu me transformando naquele abominável arquétipo multitarefas ou simplesmente orquestrando e nutrindo o fértil uso de múltiplas habilidades simultâneas? É sutil a diferença entre as duas atitudes: a primeira invariavelmente causa sufocamento e angústia, já que algo importante do qual fica impossível se dar conta estará provavelmente se perdendo no meio de tanto barulho. A segunda traz o bem-estar das realizações ativas, fluidas e despertas.

A TOTALIDADE É FÉRTIL

O aparentemente simples cozer do arroz-doce torna-se complexo quando percebido com mais atenção. Múltiplas habilidades são ativadas para compor um todo único e harmônico. Memória, intuição, visão, tato, audição, paladar, entre outras que poderíamos citar ao infinito. É claro que o resultado do trabalho pode ter ótimo sabor para alguns, e nem tão agradável a outros, afinal sabor vem de saber, que em cada ser constitui-se de um jeito específico. De qualquer modo, a partir de uma experiência prévia, chega-se a uma vívida e nova quando lança-se mão de uma equilibrada medida entre pulsão criativa e prudência, até que algo potente consolida sua existência no mundo e vai contagiando positivamente com mais vida tudo ao redor.

À ideia de totalidade é dado o nome Brahman, “palavra sânscrita formada a partir da raiz brh: crescer, expandir. Designa a força vital do universo que habita todas as coisas [...]”, o poder inerente nas palavras e no ritmo das preces, o poder sagrado que conferia eficácia aos encantamentos. De acordo com Heinrich Zimmer, ‘Brahman, este encantamento ou expressão mágica, é a forma cristalizada e congelada da mais alta energia divina [...], que quando ainda não se precipitou em seu estado líquido ou etéreo, constitui o poderoso impulso que emerge do inconsciente do ser humano.’[1] No hinduísmo posterior, equivale a Shakti: energia, força, poder.”[2]

Ou seja, a força vital – Shakti – , está implícita em Brahman, mas sem discernimento não é fértil ainda. Discernimento e força vital devem caminhar juntos para a totalidade fértil.

FEMININO E MASCULINO

Porém, vivemos há alguns séculos num mundo em que “feminino e masculino são uma polaridade desequilibrada. Direitos iguais para os homens nunca foram inspiração para uma marcha de protesto ou greve de fome. Em nenhum país do mundo, os homens são considerados legalmente incapazes, como ocorreu com mulheres de várias nações europeias até o século XX e ainda ocorre em vários países muçulmanos, do Marrocos ao Afeganistão. Nenhum país deu o direito de voto primeiro às mulheres para só depois concedê-lo aos homens. Ninguém jamais pensou que os homens fossem o segundo sexo.”[3]

“Os princípios feminino e masculino, como aspectos duais de uma matriz maior, são qualidades vibratórias da energia que é neutra e que permeia todo o universo. Ambos necessários para descrever adequadamente a realidade que conhecemos, são tendências opostas e complementares, presentes em todos os seres vivos. Todo movimento, toda expressão, todo comportamento é constituído de uma mescla de ambas as polaridades, ainda que em proporções diferentes.”[4]

Para identificar estas proporções no mundo, sobre um movimento expressivo por exemplo, “costuma-se denominar masculino aquele que tem uma intenção prévia e se mobiliza para alcançar o objetivo. Se lança para algo que está fora dele. Enquanto o feminino emerge de uma necessidade interna, tendo por objetivo responder a essa finalidade. É emergente e vinculado à fonte[...]. Em qualquer situação existe um elemento receptivo e outro ativo. Qualquer atitude se origina de um pensamento e de um sentimento.”[5] Por exemplo, podemos ensaiar que, quando decido preparar um alimento, a ação emerge de uma necessidade interna: a fome, a autopreservação (princípio feminino emergente vinculado à fonte). Mas ao escolher a panela de ferro porque cozinha mais rápido e havia pouco tempo disponível para a tarefa, estava mobilizando meu intelecto para alcançar o objetivo estabelecido: cozinhar algo em pouco tempo (mobilização masculina objetiva). Enquanto isso, durante o processo lanço mão de improvisações que fogem de ditames e receitas externas para servirem exclusivamente a meu paladar, seguindo apenas um instinto ou palpite: decisão de quais ingredientes usar ou como temperar (escolhas que emergem de um impulso/necessidade − princípio feminino emergente vinculado à fonte). Temos assim, na prática, feminino e masculino totalmente mesclados.

No tantra[6], Shiva e Shakti são, respectivamente, os princípios de consciência e poder; transcendência estática e movimento contínuo; inércia e paixão. “O poder, aspecto ativo e imanente da divindade é chamado de Shakti. Todo e qualquer deus necessita de sua Shakti ou será incapaz de agir.”[7] Shakti seria o princípio produtivo simbolicamente feminino, e Shiva a consciência sem ação.

Portanto, feminino e masculino são uma dicotomia ilusória [8], já que o feminino seria a alma e o masculino a consciência, compondo a totalidade psíquica, e sendo assim inseparáveis em um único todo. A ilusão desta dicotomia pode ter surgido na humanidade com o pensamento mecanicista, que parte do ponto de vista da separatividade de partes que compõem o todo. “Quando partimos da totalidade, contudo, a dualidade é apenas seu desdobramento. Assim, para nos conectarmos com o absoluto sem polaridade, com ‘fecunda neutralidade’[9], [...] não precisamos nos tornar andróginos, mas sim participar do eterno jogo lúdico destas polaridades, jogo que possibilita ao mundo manifesto.”[10]

O par divino Shakti-Shiva, pode ser abstratamente expresso como yoni(vulva)-lingam(pênis), símbolo supremo do princípio vital. Vajra-padma significa ‘a joia no lótus’. E segundo B. Walker, “Vajra pode significar tanto joia quanto diamante, este último um antigo símbolo para clitóris. ‘O vajra é um símbolo arcaico de poder, encontrado em coroas de deidades da vegetação e em selos da civilização do vale do rio Indo.’[11] Vajrasana (ilustração abaixo) seria o ‘assento de diamante’, estado mítico de união psicossexual com a Deusa.”[12] Todo o universo provém de uma união de uma yoni com um lingam.

Até mesmo no Hatha Yoga, sistema de práticas desenvolvido para o despertar da energia psíquica potencial humana (Kundalini) por meio do esforço físico, temos essa relação. Hatha, em sânscrito, literalmente significa esforço extremo. Mas há algo lindo por trás disso: Ha = Sol e Tha = Lua, o que significa que este esforço extremo depende da integração das duas forças solar (masculina) e lunar (feminina), para o despertar da potencialidade humana. Estamos, portanto, falando de fertilidade, em toda a sua extensiva expressão, como integração de forças.

A FERTILIDADE FEMININA NA HISTÓRIA

Nas sociedades tribais os rituais tântricos – cultos e práticas mágicas populares com ensinamentos esotéricos e iniciáticos –, eram “meios de invocar os aspectos benéficos dos elementos e das divindades, trazendo segurança para as pessoas. Quando do aniquilamento das formas tribais de organização e imposição do poder central sacerdotal, o sentimento de estar à mercê de um deus ou rei todo-poderoso, ou de seus representantes, fez com que as pessoas do povo se apegassem ainda mais ao culto à Deusa-mãe (a figura da mãe natural, entendida como potência de vida e, portanto, desta protetora), associado ao fato de lhes ter sido interditado o acesso aos rituais dos dominadores [...]. Para escapar à aniquilação total sob a influência dos sistemas de orientação masculina, o culto à Deusa e seus símbolos submergiram, levando consigo cerimônias sagradas que até então eram partilhadas por todos, passando a ser realizadas secretamente, apenas por iniciados [...]. Na Índia e Bangladesh existem ainda hoje escolas secretas, onde a Deusa e sua yoni (vulva) são cultuadas, não apenas por seus poderes de fertilidade, mas pelas energias associadas à menstruação e a sexualidade feminina [...]. Com o tempo, as deusas silenciadas pelo domínio patriarcal gradualmente foram ressurgindo até que os elementos míticos de diversas tradições femininas se fundiram na imagem da grande deusa Maha-Devi (contida no texto Devi-Mahatmya – ‘O texto da Maravilhosa Essência da Deusa’ –, de 500-600 d.C.”[13]

Shakti primeva é força e fonte de onde tudo nasceu e teve origem. Este conceito está contido em muitos símbolos femininos como as águas fluidas, elemento preservador da vida: “água, seiva, leite e sangue são diferentes formas do mesmo elixir de vida.”[14] A flor-de-lótus, yoni e mãe do universo, útero da natureza onde todos os seus elementos estão reunidos: a terra (lodo) como sua sustentação, a água em que está mergulhada que a mantém viva, as pétalas seriam o ar e sua fertilidade que ocorre pelo calor do sol. “No broto, flor e semente temos a trindade virgem-mãe-anciã.”[15]

“Desde o paleolítico, a vulva é representada como um triângulo (em figuras femininas desenterradas em sítios arqueológicos), simbolizando a fonte de águas da vida, ou como semente e broto prenunciando o desabrochar da planta, ou então uma vulva inchada prenunciando o parto.”[16] “Nas ilhas britânicas, ela aparece nos pórticos acima das entradas das igrejas e monastérios como Sheela-na-gig, uma figura que abre suas pernas e expõe sua vagina como símbolo de passagem para a vida.”[17]

A MULHER, SEU CORPO E SEU CICLO FÉRTIL

Portanto, se segundo o tantra, Shakti é poder, movimento contínuo, paixão e ação, e se a mulher tem chances de bem compreender e saber do princípio dos ciclos naturais, nos quais seu próprio ciclo menstrual se inclui, ela estaria apta a navegar nestes ciclos por toda a eternidade, para sempre vinculada à natureza inegável?

A cada mudança de estação, período ou fase, a mulher é lançada a um novo estado de emergência, em que as variáveis já são diferentes do anterior. Nunca viveremos um período menstrual ou fértil igual a outro, pois estamos em constante movimento. A cada manhã, ao acordar nossa pele está diferente, e assim também nosso útero e glândulas. Mas se nos observarmos, e assim como ao cozer o arroz-doce, intuímos, ou melhor, escutamos a voz que diz “um pouco mais de açúcar, um pouco mais de afeto”, “mais pimenta agora”, “não, não, chega, assim está bem”[...]. Temos grandes chances de acertar, pois esta voz é nada mais do que nós mesmas. É potência pura. Representa nossos devires, pulsão de vida, e carrega consigo todas as chances de transformar inércia em vida, gestando um novo ser: nós mesmas em uma refinada versão.

PARA UM NOVO FILHO

Uma das mais lindas mensagens que Geeta Iyengar nos deixa em seu Iyengar Yoga for Motherhood (que considero indispensável leitura para quem pretende gerar um filho, pois ali encontram-se dicas para o casal desde antes mesmo de haver a concepção até o pós-parto), além de Yogasanas, Pranayamas e dicas práticas, é que quem pretende gerar um filho deve se lembrar que absolutamente tudo o que você pensar, sentir e fizer com seu corpo, sua mente e seu espírito vai ser herdado por seu filho desde o ventre. Você está o tempo todo criando herança para a humanidade por meio de sua própria vida. E pensei: os Deuses estavam mesmo pensando na evolução de nossa espécie quando inventaram o Yoga. Sua vida será sua herança.

UM YOGA ASANA

Abro o livro Light on Yoga de BKS Iyengar procurando reler o que ele fala sobre fertilidade. Me deparo logo com um de meus Yogasanas prediletos: Badhakonasana[18] (ilustração da abertura deste artigo), que está também indicado no Hatha Yoga Pradipika (guia clássico sistematizado por Svatmarama Yogendra em meados do século XIV de nossa era, para a prática avançada do Hatha Yoga) como uma das quatro posturas mais importantes, entre as oitenta e quatro deixadas como legado pelo próprio Senhor Shiva, que teria criado o Yoga e o ensinado a sua esposa Parvati, para que juntos compartilhassem a jornada de suas existências tendo este sistema de práticas como instrumento.

Segundo o Hatha Yoga Pradipika, Badhakonasana cura todas as doenças e elimina o cansaço. Segundo BKS Iyengar, este Asana “mantém os ovários, os rins e a próstata tonificados, nutridos e saudáveis; trata distúrbios urinários e ovarianos; reduz dor ciática; previne hérnia; alivia peso e dor nos testículos; corrige menstruação irregular e muito pesada; alivia dor menstrual; e até ajuda a desobstruir as trompas de falópio obstruídas! Melhora o fluxo sanguíneo para o abdômen, a pelve e toda a articulação do quadril. Está recomendado no livro do Dr. Grantly Dick Reed chamado Parto sem medo.”[19] Segundo Geeta Iyengar, o Asana “está no topo da lista para gestantes! Elas sentirão liberdade para o sistema respiratório, muito menos dor durante o trabalho de parto e estarão livres de varizes se praticarem a postura todos os dias por alguns minutos. Ele tonifica os músculos do assoalho pélvico, alivia dor nas costas. Reduz a tensão na pele e nos músculos abdominais, o que causa estiramento e comichão. Corrige a pressão do útero nas veias largas da pelve, que causa obstrução da circulação e resulta em retenção hídrica. As pernas se abrem como pétalas de uma flor-de-lótus, dando liberdade aos músculos do assoalho pélvico. Alivia compressão na vagina, ânus e parte baixa da coluna vertebral. Ajuda a eliminar desconforto, ardência, irritação, coceira ou corrimento vaginal. Badhakonasana pode ser praticado a qualquer momento do dia, inclusive após uma refeição, pois auxilia a digestão.”[20] Cuidado: não o pratique se você tiver prolapso de útero.

FABIANA RODRIGUES é professora de Yoga formada no método Iyengar por Kalidas Nuyken e Sandro Bosco. Estudou biopsicologia com Dra. Susan Andrews (EUA). Site: www.mokshayogasaopaulo.com. Blog: fabirodriguesyoga.blogspot.com.

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CURSOS RELACIONADOS

SÃO PAULO/SP: Sábado 27/4, próxima lua cheia. Das 9h às 13h.  YOGA PARA MULHERES: FERTILIDADE − YOGASANA + CICLO LUNAR + FEMININO: saberes ancestrais unidos para o solo fértil da mulher contemporânea. local: Studio Iyengar Yoga São Paulo. Rua Cel. Oscar Porto, 836. Paraíso, São Paulo/SP. investimento: Cada encontro: R$ 140. inscrições: 11 9 9995-5769. E-mail: [email protected]. info: fabirodriguesyoga.blogspot.com.br.

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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS


[1] ZIMMER, H. Filosofias da Índia. São Paulo: Palas Athena, 1986. P. 63.

[2] VON KOSS, M. A totalidade e seu desdobramento. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 19-36.

[3] Sonntag, S. Mulheres. In Folha de São Paulo. Caderno 2. P. D9. 8 de janeiro de 2000. Tradução e edição de texto de Ruth Helena Bellinghini.

[4] VON KOSS, M. Feminino e masculino: uma dicotomia ilusória. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 209.

[5] VON KOSS, M. Feminino e masculino: uma dicotomia ilusória. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 210.

[6] “O Hatha Yoga tem suas raízes na Índia antiga, mas ganhou muita força no período medieval (séculos IX a XVI)… O período em que ele surgiu coincide com um momento muito especial em que os adeptos do Tantra apresentaram a uma Índia pasmada e acomodada no ritualismo bramânico uma visão revolucionária e dinâmica do universo e do Homem. Para os tântricos o corpo não é mais causa de pecado e perdição, mas veículo para a transcendência e a realização da natureza divinal do Homem”. KUPFER, P.  Introdução. In YOGENDRA, Svatmarama. Hatha Yoga Pradipika. Florianópolis: Dharma, 2002. P. 7-12.

[7] VON KOSS, M. Tantra e a polaridade sexual divina. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 44.

[8] VON KOSS, M. Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000.

[9] ZIMMER, H. Filosofias da Índia. São Paulo: Palas Athena, 1986.

[10] VON KOSS, M. Tantra e a polaridade sexual divina. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 45.

[11] RAWSON, P. The art of Tantra. New York: Thames and Hudson, 1992. P. 9-10.

[12] WALKER, B. Vajra. In Woman’s Encyclopedia of Myths and Secrets. San Francisco: Harper, 1983. P.1037.

[13] VON KOSS, M.. Tantra e a polaridade sexual divina. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 37-60.

[14] WALKER, B. Menstrual blood. In Woman’s Encyclopedia of Myths and Secrets. San Francisco: Harper, 1983. P. 637.

[15] VON KOSS, M. Tantra e a polaridade sexual divina. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 40.

[16] GIMBUTAS, M. The Language of the Godess. San Francisco: Harper, 1991. P. 99.

[17] VON KOSS, M. Tantra e a polaridade sexual divina. In Feminino + Masculino – uma nova coreografia para a eterna dança das polaridades. São Paulo: Escrituras, 2000. P. 41.

[18] IYENGAR, BKS. Yogasana, Bandha and Kriya. In Light on Yoga. New York: Schocken Books, 1979. P. 128-129.

[19] IYENGAR, BKS. Asanas for you: sitting asanas. In Yoga, the path to holistic health. London: Dorling Kindersley, 2001. P. 108-109.

[20] IYENGAR, G.S.; KELLER, R.; KHATTAB, K. Detailed descriptions of asanas for all studentes: Badhakonasana. In Iyengar Yoga for Motherhood – Safe practice for expectante and new mothers. New York: Sterling Publishing Co., 2010. P. 67-69.

25abr
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Outono em você

Entrevista para coluna de bem estar do site do Iguatemi

Ilustração Huan Gomes

A chegada do outono derruba as temperaturas dentro e fora de nós! E segundo o Ayurveda isso pode ser causa de alguns desequilíbrios típicos dessa época.

Como a alimentação, também segundo essa filosofia ancestral, é quase sempre o melhor remédio, entrevistamos a naturóloga, especializada em nutrição aqyurvédica, Caru Alencar para minimizarmos os problemas que essa estação pode trazer ao nosso corpo, confira!

Quais os desequilíbrios mais comuns causados pela chegada do outono? Os desequilíbrios mais comuns com a chegada do outono são principalmente pele mais seca, função intestinal e  digestão irregulares. O intestino que funcionava todos os dias pode passar a funcionar dia sim dia não; a digestão pode ser boa em um dia e péssima no outro; o que eu digeria bem no verão – por exemplo as saladas – pode passar a ficar mais difícil no outono, causando gases. Podemos até ter maior intolerância a certos tipos de alimentos, especialmente os mais pesados (doces com cremes, queijo, sorvete), frios (saladas, sorvete, bebidas muito geladas) e secos (folhas, frutas secas e desidratadas).

Como deve ser a alimentação nessa época? A alimentação nesta época, deve ser nutritiva, com grãos integrais bem cozidos e, de preferência, com especiarias que ajudam na digestão, como açafrão, páprica, gengibre, manjericão, cominho, etc.  Devemos evitar saladas ou ingeri-las apenas na hora do almoço e com azeite de boa qualidade, para deixar a salada menos fria e seca. Nessa época são melhores para o corpo os alimentos cozidos al dente, raízes também devem estar presentes, sempre cozidas. As bebidas quentes são muito bem-vindas nesta época: chás ou mesmo o chai (bebida indiana a base de chá preto, especiarias e leite), leite sempre aquecido e com especiarias como canela, cardamomo e gengibre em pó. Uma ótima bebida após as refeições é o chá de gengibre com erva-doce. A noite alimentação mais leve, as sopas são ideais e devem sempre conter ao menos uma raiz (cenoura, mandioquinha, cará, inhame).

Como uma salada comum pode agravar ainda mais esses desequilíbrios? As saladas podem agravar ainda mais estes desequilíbrios por serem muito frias e secas, geralmente com sabor adstringente que ressecam o organismo, gerando gases no intestino e muito desconforto nesta área, além de prejudicarem a digestão de outros alimentos, pois “esfriam” a digestão de outros alimentos. Se forem consumidas deve ser na hora do almoço e no final da refeição.

Quais as dicas para esquentar as saladas? Para esquentar a salada nesta época devemos acrescentar azeite de oliva extra virgem e ervas digestivas e quentes como gengibre ralado, semente de erva-doce, folhas de manjericão e pimenta-do-reino.

Receita para aquecer salada: aqueça em uma frigideira, por aproximadamente 2 minutos, azeite ou ghee (manteiga clarificada), algumas sementes de cominho e folhas de curry. Está pronto para ser adicionado às saladas com limão.

16abr
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Caminhos para saúde

Por Maria Cabral

Ilustração: Huan Gomes 


Caminhar faz bem! Isso não é novidade, mas nunca é demais ressaltar os benefícios desse exercício tão democrático, acessível a quase todas as idades e estados físicos.

Caminhar uma hora por dia, três vezes por semana, ajuda a prevenir enfartes e osteoporose, ativa o metabolismo e, se feita com consciência, pode acalmar a mente. Em várias linhas do budismo, por exemplo, a prática de meditação é feita também caminhando.

E para transformar seu exercício físico em uma prática meditativa basta você manter a atenção no que você está fazendo. Mantenha sua mente interessada em sua respiração, na sensação das solas dos pés pisando no chão, em suapostura com o peito aberto e a coluna alinhada. Pronto, já estará meditando! Os benefícios se multiplicam se você conseguir fugir de ônibus e motos!

Em boa companhia

Seu cão precisa, muito provavelmente, caminhar mais do que você! Principalmente os cães urbanos, que passam o dia em apartamentos sem muito espaço para serem cachorros!

“Para os cachorros passear é o grande momento do dia,” explica Fabiane Edinger, bióloga que trabalha com comportamento canino há cinco anos. “Ele colocará seu incrível olfato para funcionar, exercitará seus músculos, irá interagir com outros cães ativando sua vida social”, continua Fabi que conclui que um passeio bem estruturado resolve, algumas vezes, até transtornos de comportamento.

Dicas da Fabi para um passeio feliz

- Na hora de colocar a coleira certifique-se que você está calmo e o seu cão também. Ficar falando coisas como: “Vamos passear, Rex! O Rex vai sair! Cadê sua coleira, Rex?” demonstram que você está mais ansioso com o passeio do que o seu cão. Essa energia o contagia na hora, transformando o ritual da saída num verdadeiro show de latidos finos. Lembre-se: todos calmos e sem agitação!

- É importante que seu cão entenda que você conduzirá o passeio. Ter em mente qual é o roteiro que vocês percorrerão é um bom exercício para não deixar que seu cão te levar para passear.

- Permita que ele faça as necessidades no primeiro quarteirão do percurso, deixando o cão mais à vontade para procurar seu local preferido. Isso deve demorar uns 5 ou 10 minutos no máximo.

- O resto do passeio é feito sob a sua vontade. Caminhe com a postura ereta, com confiança e sempre observe se o seu cão está curtindo a caminhada. Isso criará uma relação de confiança entre vocês que ficará mais intensa a cada passeio!

Love is all we need!

Tudo isso ainda nos dá um presente extra como benefício, na relação humano-cão buscamos no nosso interior algo que fica perdido na correria: a nossa capacidade de dar amor ao próximo! Muitas pessoas de alto escalão corporativo, frias e sisudas, começam a falar fininho e com voz de bebê ao encontrar seu cãozinho em casa.

A prática, ainda inconsciente, de dar amor e de descobrir o amor dentro de si é uma das “mágicas” que os cães fazem conosco!

Fonte: Passear

Maria Cabral pesquisa soluções conscientes para um estilo de vida saudável. Ela também estuda e pratica Yoga e Ayurveda.


12abr
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Recompensas

Por Tetê Pacheco

Em 2002, comecei a praticar Yoga mais seriamente no estúdio da Dina, ali no Sumaré. Certa vez, eu voltava da prática por uma rua que nunca havia passado e me deparei com um desses espaços que vendem tudo para jardim. Na porta, estava uma muda de primavera branca, a minha favorita. Resolvi adotá-la. Plantei a primavera no outono, mais ou menos por esta época. E esperei que ela mostrasse sua gratidão já na próxima estação das flores. Muitas primaveras se passaram sem que a minha planta desse o ar da sua graça. Entrou ano, saiu ano, quase dez no total, sem que nascesse uma florzinha sequer.

Poderia ter tirado a muda de lá, sob o pretexto de que ela não vingara, mas resisti, um pouco por culpa, outro tanto por teimosia. Vieram os invernos e com eles chuvas, enchentes. Passaram-se dezenas de verões calorentos e sem sombra.

Eis que um dia, ela começou a crescer. Do nada. Os galhos fortaleceram, fizeram até um bonito desenho na porta de entrada da minha casa. Olhando assim, parece que eles querem entrar pela porta sem pedir licença. Nesse último estranho verão, de clima extremo e emoções à flor da pele, ela chegou ao seu apogeu de beleza. Contrariando todas as expectativas, deu uma florada tão linda e farta que já dura quase três meses sem perder quase nada.

Eu aprendo diariamente com essa árvore. Testando minha paciência e tirando a temperatura da minha arrogância, ela me ensinou a aguardar. Coisa que andamos desaprendendo a cada dia por conta da nossa contemporânea ansiedade.

Nem tudo anda no ritmo que a gente quer. E temos que nos submeter a essa realidade todos os dias. Seja no trânsito, na evolução de nossas práticas, nos objetivos de nossos projetos. Aguardar é lindo e compensador.

Tudo muda, tudo morre, tudo nasce, tudo vence e tudo é derrotado, sempre e sempre. Só temos que saber observar. Nessa Páscoa, comemorei um ano em que estou retornando à Yoga. Assim mesmo, no gerúndio, porque não tem jogo ganho e a história nunca foi contada inteira. Sempre tem mais um capítulo para nos surpreender.

Tetê Pacheco é mãe do Bento e do Otto. É publicitária e criadora do Agenda Amiga. Tem muitos planos e projetos para ontem. E muitas ideias e desejos para amanhã. Hoje está tentando voltar a praticar Yoga.

09abr
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Alimente sua pele

Por Maria Cabral

Publicado originalmente no site Iguatemi

Ilustração: Huan Gomes

A pele é o maior órgão do corpo e é a fronteira entre o eu e o não eu. Ela tem como função nos proteger de corpos estranhos, mas também tem a capacidade de absorção de substâncias, portanto devemos ter cuidado com o que passamos nela.

As pessoas estão cada vez mais conscientes sobre a alimentação, principalmente com os alimentos industrializados, conferindo quais os ingredientes que serão ingeridos.

Mas você já leu os ingredientes do seu hidratante ou desodorante? E se leu, não ficou pelo menos curioso (se não preocupado!) com nomes do tipo cloridrato de alumínio e petrolato?

A pele come
Algumas medicinas integrativas dizem que não deveríamos passar na pele algo que não colocaríamos na boca. E alguns ingredientes, que normalmente moram em sua cozinha, podem se mudar para o banheiro e fazer maravilhas na sua pele!

Mel: é excelente antisséptico, anti-inflamatório, cicatrizante, adstringente e hidratante.
Receita: experimente usar o mel (de preferência orgânico) como sabonete líquido para o rosto.

Farinha de Aveia: deixa a pele macia e ajuda a equilibrar seu pH.
Receita: você pode experimentar colocar um punhado de farinha de aveia em sua banheira (é excelente para bebês e crianças) para deixar a pele supermacia ou misturar com um pouco de mel para fazer uma máscara esfoliante e nutritiva no rosto (aplique em toda a face, deixe por 15 minutos e depois retire, com movimentos circulares e água morna).

Açúcar: excelente esfoliante para o corpo.
Receita: para um esfoliante um pouco mais elaborado (e supercheiroso!) experimente misturar 1 xícara de açúcar (de preferência orgânico), 1/2 xícara de óleo de coco derretido, 4 colheres de sopa de óleo de amêndoas ou semente de uva, 1 colher de sobremesa de extrato de baunilha e 15 gotas de óleo essencial de lavanda (não confunda com essência!!). Misture tudo em um frasco com tampa e use no banho, com movimentos circulares por todo o corpo.

Vinagre de Cidra: equilibra o pH e limpa resíduos do cabelo.
Receita: misture 1/2 xícara de vinagre de cidra (de preferência orgânico) em 1 litro de água filtrada e use como último enxágue do cabelo no banho. Não se preocupe que o cheiro de vinagre sai em pouquíssimo tempo!

Abaixo alguns links nos quais você pode encontrar muitas outras receitas de beleza natural e, da próxima vez que for ao mercado, lembre-se também de ingredientes que possam ir para sua nécessaire:

Blog da Sâmia 
A Sonoma Garden
LisaLise

Maria Cabral pesquisa soluções conscientes para um estilo de vida saudável. Ela também estuda e pratica Yoga e Ayurveda.

08abr
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CONCURSO CULTURAL EKOMAT

Ajude a Ekomat a escolher um nome para o seu NOVO FILME.

Participe do Concurso Cultural da Ekomat e concorra a um KIT completo de produtos para yoga + 1 mês de aulas grátis no Estúdio Yoga Flow em São Paulo. O novo filme da Ekomat fala da relevância do yoga na vida moderna, sobretudo nas grandes cidades. O embaixador da marca, André Meyer, faz o papel do Yogi em busca de conhecimento e sabedoria em meio ao caos urbano.

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