30jun
Em Respiração

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>Uma Visão Ayurvédica da Dor no Parto

>Por Maíra Duarte

O sistema nervoso é responsável pelo processo de sentir a dor. Existem vários tipos de dor e cada uma requer cuidados diferentes. A dor pode ser quente e latejante, aguda e migratória ou pesada e constante. Os três principais fatores que geram dor são: bloqueios (emocional, fisiológico ou mental), alimentos mal digeridos e excesso do elemento ar no corpo. Toda dor, independente do tipo, indica excesso do elemento ar que governa o sistema nervoso e sensorial. O ar é frio, leve e instável e é equilibrado pelas qualidades quente, úmido e pesado.

Segundo o Ayurveda, é fundamental compreender o que gera desequilíbrio e, ao aliviar os sintomas, não perder de vista a fonte geradora do problema. Muitas vezes aliviar a dor pode ser apenas esconder o que a está gerando e assim o organismo perde a capacidade de reação. Imagine um tornozelo torcido: a pessoa toma um analgésico para eliminar a dor e, sem ela, usa o tornozelo normalmente sem esperar a recuperação dos músculos e ligamentos. Ou alguém que tenha um problema digestivo, como, por exemplo, acidez e toma antiácido com frequência, aliviando o sintoma, mas não cura a origem da doença.

Os tratamentos ayurvédicos para aliviar a dor visam equilibrar o elemento ar e digerir toxinas. Massagens aplicadas com óleos vegetais aquecidos, emplastros, terapias de suor, bastis externos (procedimentos com aplicação de óleo local) e estímulo dos pontos marma (pontos vitais do organismo) que auxiliam no desbloqueio dos canais. Existem algumas ervas para uso interno que aquecem o organismo, digerem toxinas, dilatam os canais e auxiliam no alívio da dor.

A dor no trabalho de parto
Existem alguns aspectos que favorecem o trabalho de parto: equilíbrio dos cinco elementos no corpo, toxinas digeridas, equilíbrio do vento descendente (apana) e boa elasticidade dos tecidos. O acompanhamento pré-natal é fundamental para garantir estes aspectos.

Durante o trabalho de parto, o calor local, o uso de óleos específicos para nutrir os tecidos, a respiração e a música ansiolítica são as principais formas de aliviar a dor. O uso interno (via oral) de infusões de manjericão e canela tem efeito suave no alívio da dor. Todas essas medidas devem ser aprovadas e acompanhadas pelo profissional responsável pelo parto.

Gemido em casal ou dupla com doula
Com o início das contrações, é importante que a mulher mantenha-se relaxada e entregue para que o útero esteja maleável para a dilatação. Quanto menos tensa e enrijecida a mulher estiver, mais facilmente lidará com a dor. Uma boa forma de relaxar no início do trabalho de parto é com o gemido em casal (ou em dupla com a doula). Apoie-se no seu acompanhante de parto relaxando toda a pelve. Ele pode dar sustentação por trás enquanto você segura no pescoço dele. Respirem juntos e soltem o ar junto com um “ahhhhh” bem profundo ou outro som que faça sentido para você. O som vem lá de dentro e não da garganta e deve ser direcionado para baixo, como se fosse sair pela vagina. Fazer junto com o pai do bebê o insere dentro do trabalho de parto, traz uma participação mais íntima e ativa como se estivessem “parindo juntos”. Também é uma boa forma de trabalhar o “nascimento” do pai, seu rito de passagem que muitas vezes fica camuflado pela intensidade da força feminina que envolve a situação.

Massagem
A massagem nos pés é considerada por muitas gestantes extremamente relaxante e prazerosa. Durante o trabalho de parto, ajuda a relaxar suavizando na dor. Todas as partes do pé podem ser massageadas.

Alguns especialistas não indicam o recebimento de massagens no primeiro trimestre da gestação, mas este não é um consenso. Caso a gestante sinta sua pele ressecada ou acúmulo de líquido em certas partes do corpo, pode receber uma oleação e drenagem suave se houver permissão médica.

Após o terceiro mês, a gestante pode receber massagem suave em todo o corpo com regularidade. A partir do oitavo mês é aconselhado que receba oleação diariamente, principalmente na barriga para prevenir estrias. Quando completar nove meses de gestação, o estímulo suave dos marmas que controlam o apana pode ser associado às oleações, e a gestante pode ir a uma clínica ayurvédica receber a massagem abhyanga, uma ou duas vezes por semana.

Maíra é terapeuta ayurvédica formada pela Escola Yoga Brahma Vidyalaya e no Curso Avançado de Ayurveda pela Academia Internacional de Ayurveda, na Índia. Especializou-se nos cuidados ayurvédicos com a gestante (Perfect Pregnancy Program). Doula formada pelo Gama (Grupo de Apoio à Maternidade Ativa) e pela ONG Amigas do Parto, Maíra realiza acompanhamento de gestantes durante a gravidez, trabalho de parto e pós-parto. [email protected], (11) 8415-8222.

30jun
Em Geral

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>A Prática de Yoga e o Assoalho Pélvico Feminino

>Por dra. Jacqueline Leme Lunardelli e dra. Mara de Abreu Etienne

A prática de Yoga presume o exercício do autoconhecimento físico, mental e espiritual. Promove o alinhamento corporal e seu equilíbrio por meio de exercícios respiratórios e posturas especiais, envolvendo os músculos profundos abdominais e do assoalho pélvico.

O conhecimento da anatomia e de suas funções pode potencializar a consciência e os benefícios obtidos com a prática de Yoga. Dessa forma, a saúde pode ser preservada ou restaurada quanto mais a mulher tiver consciência de si, de seu corpo e possibilidades.

A pelve feminina possui funções essenciais como a continência urinária e fecal, a micção e a defecação e a função sexual. Os músculos pélvicos exercem ações de contração e de relaxamento ou de expulsão como, por exemplo, no parto.

Ao longo da vida, por diversas razões, a mulher pode experimentar alterações conhecidas como “disfunções do assoalho pélvico”: incontinência urinária (qualquer perda involuntária de urina), aumento da frequência urinária, urgência para urinar, nictúria (acordar duas ou mais vezes à noite para urinar), dificuldade para esvaziar completamente a bexiga ou gotejamento pós miccional. Em relação à função anal, a mulher pode apresentar desde a perda involuntária de gazes, constipação ou a perda de fezes.

É importante citar que muitas vezes a mulher pode perceber a flacidez da parede vaginal após dois ou mais partos vaginais. Um dos sintomas pode ser o escape de ar pela vagina, com ou sem ruído.

Todas essas disfunções podem ser consequentes dos prolapsos de órgãos pélvicos, entre eles a cistocele (bexiga caída), retocele (herniação do reto) ou prolapso uterino.

Disfunção sexual significa a incapacidade frequente para completar o ciclo de resposta sexual, seja na fase de desejo, excitação, orgasmo ou resolução. Disfunções se apresentam também como: dispareunia (dor ao ato sexual) ou vaginismo (contração excessiva da vagina).

Todo o exposto até aqui são situações clínicas passíveis de serem cuidadas por profissionais especializados na área de uroginecologia.

A promoção da saúde é benefício direto da prática de bons autocuidados. A prática da Yoga redireciona, ativa e libera a energia que circula pelo corpo estimulando os centros cerebrais, os nervos e os órgãos, beneficiando o sistema neuromuscular e glandular.

Na Yoga, mula bandha é a contração dos esfíncteres do ânus e da uretra. Trata-se de técnica de elevação e contração do assoalho pélvico. Contrai-se primeiramente a musculatura dos esfíncteres do ânus e da uretra. Depois, eleva-se verticalmente o assoalho pélvico, em direção ao plexo solar. Esta contração pode ser acompanhada pelo recolhimento dos músculos do baixo-ventre e dos glúteos. Estimula-se assim o sistema nervoso central e o chakra básico.

Dra. Jacqueline Leme Lunardelli – Ginecologia/Uroginecologia [email protected]
Dra. Mara de Abreu Etienne – Fisioterapia do Assoalho Pélvico/Uroginecologia [email protected]

30jun
Em Ayurveda, Saúde natural

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A Cura pelo Olfato

Por Márcia De Luca

Lembre-se por um momento do cheiro da terra depois da primeira chuva de primavera, do cheiro de uma refeição preparada por sua avó ou do cheirinho de um bebê recém-nascido. Nosso sentido do olfato conecta-nos diretamente com nossas emoções, lembranças e instintos. Por meio de um processo conhecido por condicionamento neuroassociativo, podemos ligar uma reação de cura à experiência de um odor em particular. Por exemplo, se cada vez que sentarmos para meditar usarmos uma fragrância de sândalo, logo aprenderemos a associar a sensação de relaxamento com o aroma. Outras vezes, simplesmente sentindo o cheiro da fragrância, provocará a sensação de relaxamento tranquilo.

Descubra um aroma que você goste muito e inale profundamente sua essência sempre que estiver se sentindo relaxado, em paz ou desfrutando de um dia particularmente agradável. Gradualmente seu corpo vai associar esses sentimentos agradáveis com o uso do aroma. Em pouco tempo, simplesmente o cheiro da essência provocará um estado elevado de bem-estar.

Consulte o quadro abaixo para determinar que aromas podem equilibrar seu atual elemento psicofísico ou experimente diversos aromas para descobrir qual o que mais lhe agrada.

Márcia De Luca escreveu esse texto para seu curso de Formação de Professores. É autora do livro Ayurveda – Cultura de Bem Viver (Editora de Cultura) e apresenta na Rádio Eldorado os Boletins Filosofia de Bem Viver. www.ciymam.com.br

30jun
Em Geral

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>Óleos Essenciais

>Por Puja Punita

Os óleos essenciais podem trazer muitos benefícios físicos e energéticos ao nosso corpo, além de agir em nossa memória olfativa, que é a capacidade de estimular lembranças e sensações pelo cheiro. Diferentes das essências (que são sintéticas), esse óleos essenciais, como o próprio nome diz, são a essência da planta.

Com diversas aplicações, os óleos podem ser usados como spray de limpeza e aromatização de ambientes, aromatizadores com fins terapêuticos ou, quando diluídos em óleo vegetal, direto no corpo também para terapia.

Três deles não devem faltar em sua farmácia natural: eucalipto, tea tree e lavanda. Além de não custarem muito caro (o óleo essencial de rosas, por exemplo, é mais caro que ouro!), têm muitas aplicações terapêuticas.

Eucalipto
Para tosses, dores de garganta e outros problemas do sistema respiratório, experimente:
- Tomar duas gotas de óleo essencial misturado a uma colher de sopa de mel.
- Fazer inalação como antigamente: respire o vapor de uma bacia de cinco litros de água fervente e três ou quatro gotas de óleo essencial. Para aumentar a eficiência, experimente cobrir a cabeça com uma toalha.
- Fazer uma massagem simples no peito ou nas costas com o óleo essencial diluído em óleo vegetal ou creme.

Tea tree
É fungicida e bactericida e, junto com a lavanda, é o único óleo essencial que pode ser aplicado diretamente na pele, sem diluir.
- Aplicar diretamente em frieiras e outras micoses de unhas.
- As mulheres podem prevenir candidíase pingando duas ou três gotas na calcinha ou em um protetor diário.

Lavanda
É ótimo anti-inflamatório e cicatrizante.
- Pingar uma gota em pequenos cortes (como às vezes acontece na manicure), em espinhas e pequenas queimaduras.
- Em casos de dores de cabeça, experimente pingar uma gota em cada lado da têmpora e fazer uma leve massagem circular na região.
- Para insônia, experimente pingar uma gota no travesseiro.

Puja Punita é terapeuta especializada em Yoga Massagem e dá cursos de formação de terapeutas.
www.yogamassagem.com.br
(11) 9601-8016

22jun
Em *Yoga pela Paz 2112, Participantes 2012, Pratique mais!, Yoga Marcadores ,

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Vrksasana – Alinhamentos e anatomia

Alinhamentos
Por Pedro Bara

A partir de tadasana (postura da montanha), firme o pé esquerdo contra o chão e flexione o joelho direito, com a mão direita no tornozelo traga o calcanhar direito em direção ao períneo e apoie a sola do pé direito na parte interna da coxa esquerda.

Mantenha o peso na parte interna do pé de base, que deve estar firme e estendida. O pé direito deve pressionar a coxa, que deve resistir como se a coxa externa fosse em direção a interna.

Com as mãos na cintura, alinhe os dois lados do quadril na mesma altura. Depois una as palmas em frente do peito e eleve os braços estendidos (urdhva namaskarasana) com as mãos acima da cabeça.

Estenda a coluna verticalmente para cima e leve o cóccix para dentro. A partir da extensão dos braços estenda mais as duas laterais do tronco para cima. O pescoço deve manter-se relaxado, cabeça entre os braços e o olhar para frente.

 

Por Carolina Langowski

Por ser uma postura de equilíbrio, trabalha bastante o apoio da musculatura da sola do pé. Ao flexionar a perna direita, alonga-se a musculatura adutora da coxa (1). A contração do quadríceps da perna de apoio (elevando a patela) aumenta a estabilidade na articulação do joelho (2).

Se não puxar com a mão a perna flexionada para cima, utilizará mais a musculatura do quadríceps para manter a posição.

Contraindicações: dor ou fraqueza nas pernas.

 

 

 

 

Pedro Bara Zanotto graduado em Esporte pela USP. Praticante de Iyengar Yoga há 11 anos e certificado pela Associação Brasileira de Iyengar Yoga no nível Intermediate Junior 2. Professor e coordenador do Centro Iyengar Pôr-do-Sol. Ministra curso de formação de professores em Iyengar Yoga. www.centroiyengar.com.br

Carolina Martins Langowski é formada em fisioterapia pela PUC-PR, com especialização em Medicina Tradicional Chinesa. Fez sua formação em Yoga com Pedro Kupfer e Camila Reitz, dá aulas de Yoga a oito anos em Mariscal SC, onde vive. A quatro anos vem se dedicando a estudar anatomia aplicada ao Yoga, com o grande objetivo de evitar que pessoas se machuquem praticando Yoga. Ministra as aulas de anatomia nos cursos de Formação de Pedro Kupfer, Camila Reitz, Unipaz, Rô Pacheco, David Lurrey, Lygia Lima.

[email protected]
Ilustrações: Madu Cabral

22jun
Em Geral

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>Vrksasana – Mitologia

>Por Carlos Eduardo Barbosa

Ao pé e à sombra de uma árvore frondosa o shikshaka (professor) ministra a aula para seus chatras (alunos). Esse é um quadro típico da educação hindu tradicional. A imagem da árvore sempre esteve vinculada, na Índia, à ideia de aprendizado e sabedoria. A Bhagavad Gita menciona, no início do capítulo 15, uma árvore imensa que desde o alto lança seus galhos para baixo, cujas folhas são os versos dos Vedas, a fonte da sabedoria. Essa árvore é o ashvattha, a figueira sagrada, cujo nome significa literalmente “onde estão os cavalos”.

O cavalo é frequentemente usado como emblema do fogo na tradição hindu. Acreditam os sacerdotes que a madeira do ashvattha possui um princípio de fogo muito puro dentro de si, que eles extraem por fricção – a única maneira aceita pelo ritual védico para acender o fogo sagrado. Esse fogo presente na árvore tem o poder de promover a purificação do corpo, que é o tapas (queimação). Talvez por essa razão seja este o asana predileto dos ascetas (tapasvinas).

Kundalini, o fogo interno que se aloja junto à raiz da coluna vertebral, faz o prana (energia vital) subir por nosso corpo como o deus Soma faz a seiva subir pelo tronco da árvore. O soma era um princípio de ascensão presente nos vegetais que os sacerdotes extraíam ritualmente para oferecer ao deus Indra e para beber, em busca da elevação do pensamento e da inspiração poética. O fogo na árvore também é entendido como igual à inteligência dos sábios, que contavam suas histórias diante de fogos rituais mantidos permanentemente acesos durante os festivais religiosos.

Poeta e sábio eram palavras sinônimas usadas para designar os autores dos hinos védicos. Na língua sânscrita eles são chamados de rishi, mas que o povo também chamava de riksha, (urso), talvez porque muitos viveram reclusos em grutas nas montanhas – uma palavra que está a uma letra de distância de vriksha, a nossa árvore.

Ascensão, purificação e sabedoria são três atributos desse asana que o praticante deve tomar em consideração quando faz dele o modelo para a postura de seu corpo. Cultivando esses atributos em sua mente, ele assegura bons resultados para a saúde e o bem estar de seu corpo e de sua alma.

Carlos Eduardo Gonzales Barbosa dá aulas de Sânscrito e de Culturas da Índia desde 1982, desde 2004 tem foco no Sânscrito falado. Dedica-se ao estudo da tradição do Yoga, em especial dentro da perspectiva dos Nathas.
Contato: [email protected]
site: www.yogaforum.org

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