10abr
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A meditação nas diferentes tradições e o encontro com a ciência contemporânea

Por Alexandre Campelo

A meditação é uma prática milenar presente não apenas nas tradições orientais, como o Yoga e o Budismo. Para surpresa de muitos, ela tem sido praticada pelos místicos cristãos desde o início da cristandade, muitas vezes chamada de “hesicasmo”, “oração silenciosa”, “oração do coração” etc.
Quando investigamos as histórias e as práticas das diferentes religiões, descobrimos que todas elas possuem duas faces, uma interna que podemos chamar de “esotérica” e outra externa, ou “exotérica”.
No lado místico ou esotérico de cada uma, encontramos aquilo que os antigos yogis, mais particularmente Patânjali (o sistematizador do yoga) definiram por “Dhyana”, traduzido para o português como “contemplação” ou “meditação”.
A prática da atenção no fluxo da respiração (pranayama) existiu entre os antigos “pais e mães” do deserto (cristãos eremitas que viveram no Egito, Palestina e Síria entre os séculos III e VII) que se isolavam em cavernas para meditar.
A prática do hesicasmo (quietude) foi uma constante nas vidas dos grandes santos do cristianismo: Teresa de Ávila, São João da Cruz e São Francisco de Assis, por exemplo. A palavra hesicasmo vem de “hesychia” que quer dizer “quietude”. Teresa de Ávila foi perseguida pelos teólogos censores por escrever textos que falavam sobre quietude, silêncio, encontrar Deus na paz interior.
No budismo, conhecemos práticas como o vipassana, já os antigos judeus diziam que a salvação estava no “alento”; e os yogis da Índia sempre ensinaram o pranayama (Prana significa energia vital). O pranayana é a prática do controle da energia vital através do controle da respiração.
No sufismo, o lado místico do islamismo, a atenção ao coração (semelhante aos hesicastas cristãos) é uma prática conhecida como “meditação sufi do coração” e que tem como objetivo “submergir” no mais profundo sentimento de amor.
Mais recentemente, a própria ciência empírica ocidental dedica-se a pesquisar os benefícios das práticas de contemplação.
Diferentes estudos comprovam a eficácia da quietude, do serenar a mente, adentrando um novo estado de percepção.
Como um método científico, a meditação tem se transformado em poderosa ferramenta para a saúde física e mental, pois permite que a consciência “submerja” nos níveis mais profundos da psique, descobrindo ali sua fonte interna de paz, alegria e contentamento.
A meditação, hoje, é uma prática presente não apenas nas instituições religiosas, mas em universidades e empresas. Atende religiosos e não religiosos, e beneficia a todos, trazendo maior poder de concentração nos afazeres diários, maior paz e conforto, e até a cura de doenças psicossomáticas.
Estudos recentes têm revelado os benefícios de uma técnica conhecida como “mindfulness”, desenvolvida em 1979 por Jon Kabat-Zinn, professor da Escola Médica da Universidade de Massachussets.
Segundo reportagem do jornal “Folha de São Paulo” (de 30/1/2011), a meditação “mindfulness” previne novos episódios depressivos (demonstrada em artigo da “Archives of General Psychiatry”) até sintomas de esclerose múltipla (estudo publicado pela conceituada “Neurology”).
Ainda de acordo com a mesma reportagem, estudos realizados pela Harvard Medical School em conjunto com um instituto de neuroimagem da Alemanha e a Universidade de Massachussets revelaram que a meditação “mindfulness” provoca mudanças no cérebro com apenas oito semanas de prática (artigo publicado na “Psychiatry Research: Neuroimaging”).
É indiscutível que os benefícios dessa prática são enormes e a reportagem ainda acrescenta estudos comprovando a diminuição do estresse, a melhora da aprendizagem, da memória, e das emoções.
O que é mais interessante em tais estudos, como descreveu Sonia Brucki, pesquisadora do departamento científico de neurologia cognitiva e do envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia, é a capacidade do cérebro adulto de ser moldado, demonstrando a plasticidade cerebral e o aumento da massa cinzenta no hipocampo.
Sem dúvida, os estudos nessa área ainda revelarão coisas surpreendentes, e a meditação será uma das grandes ferramentas do futuro como técnica de relaxamento, qualidade de vida e até de cura de sintomas envolvendo a psique e o soma.

Alexandre Campelo é escritor de obras voltadas para o yoga e o cristianismo. De 2002 a 2007, participou de um projeto transdisciplinar na Universidade Católica de Brasília na qual desenvolveu estudos relativos às antigas tradições do yoga e do cristianismo primitivo. Formado em pedagogia, cursou quatro anos de direito e dois de psicologia. Com pós-graduação em teologia, ministra cursos, palestras, workshop em várias cidades do Brasil, sempre abordando temas que promovem o diálogo entre yoga e cristianismo. Kriya yogi pela Self-Realization Fellowship, organização fundada por Paramahansa Yogananda em 1920, Campelo também é o idealizador da comunidade virtual intitulada YogaBook (http://yogabook.com.br/) que reúne conteúdo yogi com recursos tecnológicos para palestras e cursos ao vivo. Como escritor é autor de três obras: “O cristianismo original e a unidade das cinco religiões”, de “Francisco, o grande yogi de Assis” e de “O encantador de pessoas – uma viagem mística aos contos, histórias e ensinamentos da Índia”.

25jan
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Aumente sua concentração! Jogue com seu cérebro

Por Andréa Alves

Publicado originalmente no blog ANDREA ALVES

Foto: Andrea Alves por Cesar Marfará

Você gostaria de ler um livro, mas não tem concentração nem pra chegar ao final deste post? Pois saiba que este problema não é exclusividade sua nem dos tempos modernos.
Mas se é difícil se concentrar, não fica atrás a tarefa científica de medir a concentração. Isso acontece porque a concentração, forma prolongada de atenção, não é tarefa de uma área específica do cérebro, mas de um conjunto de sistemas que envolve o cérebro todo. O que a neurociência já sabe é que o processo de escolha de importância, baseada em emoções e memórias, tem fator crucial no processo. Com origem no sistema límbico, que comanda as emoções, a escolha do objeto a se concentrar sempre favorecerá elementos que despertam sensações intensas. Por isso é fácil se concentrar na pessoa interessante que puxou papo com você na festa!

Explicável: Para nossos ancestrais, que viviam nas savanas, era mais importante a atenção de tudo que acontecia à volta (o que programou o cérebro ao longo de milhares de anos para buscar recompensas imediatas) do que a concentração focada, de longo prazo. Isso explica não só a nossa falta de concentração (reclamação levantada por Thomas Edison, inventor da lâmpada, em 1870) como também a busca quase incontrolável por prazeres como aquele chocolate ou “futucar” no perfil dos seus amigos de Facebook.
Receber emails ou mexer em redes sociais libera dopamina, importante neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação. Em outras palavras: seu cérebro reptiliano foi moldado para a “balada nas savanas”, e não para estudar para a prova.

Mas calma! Isso tem saída. Diferente de outros animais, temos a capacidade de acionar nosso neocórtex – a parte mais evoluída do cérebro – para tomar decisões de longo prazo. É possível treinar a capacidade de concentração. Nosso cérebro possui uma plasticidade capaz de redistribuir os neurônios de acordo com a necessidade do treino. Grande técnico, hein?

Embora parte da capacidade de se concentrar venha do seu DNA, neurocientistas e psicólogos acreditam que a concentração pode ser ensinada e cultivada ao longo da vida! Segundo a psicóloga Marilene Proença, professora da Universidade de São Paulo, a melhor técnica para isso é a Meditação. “Meditar é um exercício tão bom para o seu cérebro quanto levantar pesos na academia é para seu bíceps.” Um estudo da Universidade da Califórnia mostrou que a meditação regular pode ajudar a sustentar o foco até mesmo durante as tarefas mais longas e chatas.

Para quem quer se concentrar mais, vale praticar!

Desligue o celular, a televisão e a internet. Sente-se de maneira confortável (na cadeira, no chão,…), com a coluna ereta e feche os olhos. Comece a observar a sua respiração. Fique alguns instantes observando como o ar entra e sai do seu corpo. Na sequencia, visualize o ponto entre as sobrancelhas e procure permanecer neste ponto. Muitos pensamentos surgirão e você reconstruirá a observação sem se criticar. Comece com 05 minutos e vá aumentando conforme a prática.

Você vai conquistar não só a concentração como tranquilidade e paz! Eu já estou treinando ;-)

Fonte: Super interessante

Andrea Alves é terapeuta Ayurveda, professora de Yoga e Yogaterapeuta. Coordena o blog andreaalves.blog.br, especializado em bem-estar.

 

28dez
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Uma coisa por vez

Por Maria Cabral

Ilustração: Huan Gomes

Publicado originalmente no site Iguatemi

Você está lá, todo concentrado em acabar de responder um email. O telefone toca e você atende ainda digitando as últimas palavras. Enquanto escuta alguém no telefone e digita no computador toca um bip na sua agenda eletrônica e você lembra que tem dentista.

Mas com tudo isso acontecendo ao mesmo tempo onde está sua mente? Alguns estudos já conduzidos, como o do neurocientista Earl Miller na M.I.T., provam que nosso cérebro só consegue prestar atenção em uma (ou no máximo duas) coisas por vez.

Outros estudos, como o do professor David E. Meyer da Universidade de Michigan, mostram que na verdade perdemos tempo quando temos que alternar nossa atenção entre duas ou mais atividades.

E essa necessidade atual de sermos multitask enche nossa cabeça com barulhos que nos fazem perder a capacidade de concentração.

Uma boa solução

Segundo as tradições filosóficas que tem a meditação como prática, concentrar-se em uma única atividade traz tranquilidade. Isso porque:
- pensar no passado pode trazer sentimentos como nostalgia e pensar no futuro pode gerar ansiedade;
- pensar em outra coisa que não seja o “aqui e agora”, faz você experimentar a vida pela metade, sem a atenção;
- deixar a mente pular de um pensamento para o outro, em alta velocidade e desenfreadamente (desenfreada mente!) traz agitação mental e ainda corremos o risco de perder o controle e pensar em coisas que não queremos.

Acho que a concentração hoje em dia é uma dificuldade generalizada. A quantidade de informações que recebemos pelos diferentes sentidos não ajuda muito na habilidade de foco. Mas a boa notícia é que concentração é uma habilidade e pode ser treinada.

E com essa habilidade desenvolvida você pode descobrir uma mente mais dócil e controlável, com muitas vantagens:
- se consegue prestar 100% de atenção em uma tarefa chances são que a fará bem melhor;
- assim você conhece melhor a sua mente e, com treino, consegue reconhecer (e evitar!) os pensamentos indesejáveis e que podem acabar com sua noite de sono;
- isso tudo deixará sua mente mais clara e assim você enxergará melhor suas verdadeiras necessidades, terá mais auto-conhecimento.

Mais fácil do que você imagina

Já ouvi muita gente falar que adoraria meditar e que vai procurar um curso para aprender. Existem muitos métodos de meditação, muitas linhas diferentes e práticas com uma semelhança entre si: concentração.
Mas se você quer meditar já, começar agora, você pode! Isso mesmo, sem formação nem PhD! Basta seguir os passos abaixo:
1. sente-se confortavelmente (no chão ou em uma cadeira) com as costas eretas e o peito aberto;
2. coloque um despertador para marcar cinco minutos e só pare de meditar quando o alarme tocar;
3. faça algumas respirações bem profundas e comece a prestar atenção em sua respiração;
4. logo outros pensamentos aparecerão: as contas a pagar, os próximos compromissos, o café-da-manhã que tomou hoje. Tudo bem! Quando se der conta de que sua mente saiu da respiração, veja para onde ela te levou e volte para a respiração. Quantas vezes for necessário, reconheça seus pensamentos e preste atenção novamente em sua respiração.

Você pode começar com cinco minutos por dia e aumentar conforme percebe o bem que essa prática te faz!

Fontes:

Efeitos da meditação AQUI
PDF de estudos sobre concentração AQUI

Maria Cabral pesquisa soluções conscientes para um estilo de vida saudável. Ela também estuda e pratica Yoga e Ayurveda.

31out
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Uma ajudinha para o foco

Por Madu Cabral

Meditar é uma prática oriental milenar que consiste em silenciar a mente para observar as suas flutuações;  e direcionar a atenção ao verdadeiro estado do Ser. Há tempos deixou de estar relacionada a práticas místicas ou religiosas; e seus benefícios já são comprovados pela neurociência (saiba mais AQUI).

No entanto, meditar não é tarefa simples, exige disciplina e esforço. É preciso vencer os desconfortos físicos e a ansiedade gerada por uma mente turbulenta, que não foi ensinada a se auto-observar, autoconhecer.

Existem recursos que podem auxiliar a prática e induzir a um estado de consciência mais sereno e direcionado.

A aromaterapia, por exemplo, pode gerar no ambiente uma atmosfera que estimula a tranquilidade e a introspecção.

Veja o que a especialista Cristiane Pagliuchi Silveira indica como ferramenta para preparar o seu ambiente de prática.

Como o ambiente pode influenciar a nossa mente e qual a preparação propícia para o local de meditação?

C. S: O ambiente propício a prática de meditação pode variar muito.  Nos sistemas clássicos, encontramos a necessidade de isolamento, a exemplo dos mosteiros e Ashrams.

Em sistemas contemporâneos, como a meditação transcendental, a pessoa segue seu estilo de vida comum, porém reserva um local especial para a prática meditativa, com ou sem orientação profissional de um professor capacitado.

A meditação tem como objetivo desenvolver o ser humano em direção à melhor versão de si mesmo. Vivemos agitados e com grande carga de estresse, devido à exigência de rapidez nas decisões.

É preciso prestar atenção na escolha do momento correto para começar a praticar a meditação. Esse momento deve ser só seu e dê preferência para locais silenciosos, sem distrações externas.

Na preparação do ambiente, sugiro:

  • A escolha de um óleo essencial (DEVE ser 100% natural) para aromatizar o ambiente escolhido.
  • Escolher uma música calma, lenta e tranquila.

Sentar-se o mais confortável possível, com a coluna ereta. Se você tem dificuldade para manter-se confortável nas posturas sentadas no solo, dê preferência a sentar-se em uma cadeira com encosto, que ajude a manter o posicionamento correto da coluna.

A atenção e a intenção devem estar focadas em pensamentos sobre o que você realmente deseja e quer.

Nem sempre conseguimos atingir o grau ideal de concentração em poucos minutos; por isso, essas ferramentas são muito válidas para ajudar a esvaziar a mente.

No momento em que começarmos a dispersar com pensamentos e problemas, devemos voltar a atenção e focar ao nosso propósito da prática, atenção no aroma do local e no ritmo da respiração.

A aromatização do ambiente deve ser feita através de difusor de cerâmica elétrico (dura até 6 horas) ou a vela.  Pode ser usado também spray ambiente ou incenso.

Os óleos essências são 100% naturais e têm propriedade terapêuticas específicas, ideal para criar um ambiente favorável a práticas de concentração, meditação, relaxamento e vitalidade.

Conheça as propriedades de alguns dos óleos de uso mais comum :

ÓLEO ESSENCIAL DE LAVANDA

Atua no sistema nervoso central, acalma e relaxa.

Na área emocional, age como tranquilizante natural. Ideal para pessoas muito agitadas. Ideal se utilizado à noite, pois ajuda a  relaxar e a  dormir.

ÓLEO ESSENCIAL DE SÂNDALO

Atua como desintoxicante geral e fortalecedor dos tecidos. Excelente regulador hormonal.  Possui aroma masculino e lenhoso, ideal para ser utilizado no ambiente para introspecção e foco.

ÓLEO ESSENCIAL  DE GRAPEFRUIT

Atua no sistema linfático, facilitando eliminação de toxinas. É lipolítico e excelente no combate de celulite e gordura localizada.

Na área emocional, equilibra o corpo contra compulsões diversas.

ÓLEO ESSENCIAL DE LEMONGRASS (Capim-limão)

Atua na memória, criatividade e concentração. Excelente para ambientes de trabalho e/ou de estudo.

Na área emocional, equilibra e facilita decisões racionais.

ÓLEO ESSENCIAL DE ERVA-DOCE (Funcho)

Atua no sistema imunológico geral, equilibra funções gástricas.

É estimulante natural e desenvolve a paciência.

Equilibra o sistema hormonal feminino. Indicado para fases de pré-menopausa, menopausa ou TPM.

ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA DOCE

Atua no sistema digestivo e é excelente estimulante do apetite e digestão. Na área emocional age na segurança equilíbrio, permitindo aceitação de novas ideias.

Cristiane Pagliuchi Silveira é diretora científica WNF IND E COMERCIO e  AROMAGIA 

MBA (SDSU EUA) Administração e marketing.

Pós graduada em Eng. Cosmética.

Especilaista em Óleos Essências e Aromatarapia , com formação WNF (osmologia CGH-SUIÇA)  

01out
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Férias para a Cabeça

Texto publicado no site do Shoping Iguatemi

Ilustração: Huan Gomes

Devemos cuidar do equilíbrio de nossa mente assim como cuidamos da saúde dos nossos órgãos vitais. A vida de hoje sobrecarrega a mente com estímulos e informações: guiamos nossos carros checando nossos e-mails, falamos ao telefone enquanto fuçamos na internet, jantamos na frente da televisão e a mente pula de galho em galho como um macaco louco.

Ao desenvolvermos essa “habilidade” de fazer muitas coisas ao mesmo tempo agitamos nossa mente e chegamos aos quadros de ansiedade, depressão e estresse. A psicóloga Carolina Borghetti explica que: “emocionalmente, a agitação mental distorce o conteúdo do nosso pensamento, prejudicando a saúde mental e a forma como estabelecemos nossos vínculos afetivos”.

As consequências de uma mente agitada refletem também na saúde física, fazem com que nosso corpo fique sempre alerta, como que em constante situação de perigo. “Isso obviamente interfere em todas as funções fisiológicas, prejudicando o funcionamento do organismo e a saúde geral do corpo”, acrescenta Carolina, que também é professora de Yoga.

Limites

Mas se essa capacidade de ser multitask é tão valorizada no mundo de hoje, por que estabelecer o limite entre eficiência e distúrbio? A professora Márcia De Luca, especialista em Yoga e meditação justifica que “ao acalmar a mente, centramos nossas emoções e atingimos a clareza suficiente para tomar as boas e certas decisões”.

Com a mente tranquila, temos mais consciência e concentração nas tarefas que desempenhamos e assim vivenciamos o dia a dia de forma mais realista e imparcial, conseguimos ser menos afetados pelas circunstâncias sobre as quais não temos controle.

Carolina, que é especialista em Ciências da Saúde e do Desporto pela PUC-RS, ainda acrescenta: “quando estamos relaxados, todo o metabolismo se beneficia, devido a harmonização dos sistemas autônomos. Respiramos melhor e facilitamos a circulação. Assim, a oxigenação dos órgãos vitais é melhor e, consequentemente, o funcionamento também”.

Lição de Casa

Márcia explica que, para manter o equilíbrio da mente, precisamos praticar um conceito ancestral indiano conhecido por lei dos opostos: “devemos procurar técnicas e exercícios que acalmem a mente, que compensem nossa rotina de tantos estímulos e agitação”.

Tem quem fique tranquilo depois de 30 minutos de corrida, tem quem prefira uma aula de Yoga ou até um treino de boxe. Os exercícios respiratórios são recomendados por diferentes linhas de práticas corpo-mente, a respiração tranquila e longa tem efeito imediato na velocidade e qualidade de nossos pensamentos (você pode encontrar alguns exercícios respiratórios AQUI e AQUI ).

Temos, a impressão de que uma mente agitada produz mais. A verdade é que uma mente equilibrada produz muito melhor.

03set
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Tadasana

Por Carolina Bergier

Ela começa a dar os comandos:

De pé, junte as bordas internas dos seus pés. Alargue a distância entre os dedos, sentindo-os como extensão dos metatarsos, para que você consiga alongar e alargar os dedos para frente.

Mas eu não estou muito feliz com eles:

Putz, logo essa postura? Eita postura chata… Já tive um dia tão tedioso. Aliás… esqueci de responder aquele e-mail. Mas peraí. O que ela está falando mesmo? Metatarsos. Ok. Porque estou contraindo meus dedos do pé para fazer tudo isso que ela está me dizendo para fazer?

Leve o peso do seu corpo para os calcanhares.

Onde está meu peso? Para dentro, para fora, para frente ou para trás dos meus pés? Para frente, sempre para frente. Por que você é assim, Carolina? Porque está sempre com a cabeça lá na frente, no futuro? Quanta ansiedade… Preciso voltar a meditar diariamente. Peso para os calcanhares. Inspira, expira, inspira, expira. Não é que essa simples ação mudou meu fluxo de pensamentos?

Observe a ação das suas pernas e das suas coxas. A musculatura subindo. Gira as coxas internas para dentro. Abra as virilhas posteriores para fora e com esse espaço entra com o cóccix para dentro do seu corpo. Resista com a coxa frontal para trás e absorva a lateral externa da canela, da coxa e da bacia.

Estou focada. Entendo através da inteligência do meu corpo que puxar a energia da Terra me centra, me coloca no momento agora. Meus olhos estão abertos, fixos num ponto à frente, mas olham para dentro.

Observe o alongamento que você criou no seu tronco e a energia que você movimentou para o centro do peito.

Amarelo. O centro do meu peito está amarelo. Plexo Solar. Paz. Coração aberto.

Leva a ponta do ombro para trás, gira os braços para fora. Antebraço e palma da mão para dentro.

Osso, músculo, pele. Cada um deles tem seu papel nesse movimento. A ponta da escápula entra e traz meu coração para frente. As costelas abrem imediatamente e o cóccix se desalinha. Inspira, expira e fecha as costelas, contraindo o abdômen, traz o cóccix para baixo. Contrai as pernas. Peso para os calcanhares novamente. A energia está ainda mais contida no meu corpo. Concentração aumenta. Equilíbrio físico e mental.

Sinta a energia fluir através dos dedos da sua mão.

As palmas das minhas mãos vibram e queimam. Quanta energia!

Relaxa a garganta. Relaxa a base do seu pescoço para dentro do corpo.

Inspira, expira. Com o relaxamento da garganta e do pescoço, os trapézios se soltam e o peito abre ainda mais. Paz.

Relaxa a face para dentro da face.

Completo a postura. Tadásana. Postura da montanha.

Estou em equilíbrio e posso observar as flutuações da minha mente sem me relacionar com os pensamentos. Alinhada e focada, abro espaço para meu corpo sentir. Memórias celulares vêm à tona. Com o fluxo de pensamento lento, o que se passa na minha tela mental muda de figura. São imagens de sonhos, lembranças de infância. Não me apego a elas. Libero, apago e transmuto.

Inspiro. Expiro. Peso para os calcanhares. A energia da Terra entra pelos meus pés e vem subindo pela força que faço com as pernas. Entra no meu quadril, abdômen, se expande no meu peito e assume uma forma ainda mais poderosa. Difícil de explicar o que está acontecendo. Só observo. O fluxo energético sobe pelo pescoço e olhos, chegando ao alto da cabeça. Conexão. Sinto-me segura frente ao futuro, ao desconhecido. Confio no fluxo Divino. Estou acompanhada e conectada. Paz. Shanti. Eu sou. Terra e Céu conectados através de mim. Eu sou montanha. Montanha sem medo. Montanha forte, consciente e amorosa.

Inspira, expira, inspira, expira.

Tadásana. Eu sou.

Carolina Bergier − Jornalista ambiental, escritora e praticante de yoga há 7 anos. A busca pela consciência integral permeia sua vida.

 

 

 

 

 

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