Diário de um retorno 4
Por Tetê Pacheco
O fracasso costuma ser uma das piores experiências humanas, porque, desde pequenos, aprendemos que vencer é fundamental. É o que nos diferencia, seja pela força ou pela inteligência. É o que nos torna mais próximos dos deuses.
Toda a nossa atormentada cultura nos leva a crer nisso e manter, sob todas as formas possíveis, essa fé.
Acho sempre engraçado quando alguém diz que não é religioso. Religião não é algo só para igrejas, fé não é só sobre templos, santos e textos sagrados. De um certo ângulo, nossa sociedade é fervorosa nas suas crenças de que o trabalho salva, na adoração de marcas de tênis, carros e refrigerantes.
Frequentar shopping centers religiosamente, amar grifes como a si próprio. Esse amor por marcas, que nos seus DNAs marqueteiros propagam a ideia da salvação, da superação dos limites, é bem estranho, não?
Adoro uma frase do cartunista americano Hugh MacLeod: “Você pode amar marcas ou produtos mas eles não podem te corresponder”.
Como eu ia dizendo, esse é um texto sobre fracasso; e sobre como cada dia mais, acredito que a vida sem ele não faz o menor sentido. Se o medo de fracassar é maior que nós, só nos resta a imobilidade.
Vencer ou fracassar são faces da mesma moeda, não podem se perpetuar. São consequências naturais da vida.
Hoje fracasso, amanhã vitória, e assim sucessivamente. Como não dá para ser sempre dia ou sempre noite, não é possível ser eternamente feliz e nenhuma infelicidade veio para ficar.
Acredito e tento praticar diariamente essa percepção. Dessa forma consigo não me culpar pelos meus fracassos, nem ficar certa das minhas vitórias. Domingo consegui praticar! Oba!
Hoje não. Mas a vida continua.
Tetê Pacheco é mãe do Bento e do Otto. É publicitária e criadora do Agenda Amiga. Tem muitos planos e projetos para ontem. E muitas ideias e desejos para amanhã. Hoje está tentando voltar a praticar Yoga.









