02mai
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Om Ganapati Namaya

Por Márua Pacce

Gostaria de acionar um pouco, em cada um de vocês, desse arquétipo de abertura através da divindade indiana Sri Ganesha. Na Índia, esse deus rechonchudo, de vasto abdômen, preside todo e qualquer ritual religioso, mas também já teve papel político importante na independência do país (mas isso é uma outra história…).

Para ele, são designados 108 nomes: representação de seus vários atributos! Filho de Shiva e Parvati, com uma enorme mitologia, esse deus com cabeça de elefante, corpo humano volumoso, montado paradoxalmente em um pequeno rato (as divindades do panteão hindu possuem um veículo que as transportam) personifica a sabedoria.

Cada evento da vida diária é precedido por sua saudação: a primeira pedra para fundar uma casa, o primeiro passo de uma jornada, contratos, pedidos de casamento, decisões importantes, ou nem tanto… não há nada que não lhe possa invocar. Ele é o deus da boa fortuna.

Capaz de minimizar as diferenças, ele transcende as divisões religiosas, assim como as das castas o que fez alguns políticos o adotarem como símbolo nacional. Mas há um aspecto que gostaria de ressaltar aqui: ele é adorado pelas crianças como um contador de histórias, uma espécie de referência mestra nessa arte milenar de entreter crianças e adultos.

Foi ele que, segundo consta, teria sacrificado sua presa para salvar as grandes histórias da Índia de serem perdidas.

O sábio Vyasa determinou que recitaria as narrativas épicas do solo indiano apenas se essas pudessem ser escritas sem interrupção por Ganesha, o que lhe dá o título de escriba. O desafio foi acolhido por Ganesha que passou dias e noites ouvindo e escrevendo aquele que permanece ainda hoje o maior poema épico de todos os tempos neste mundo, o vasto texto do Mahabharata, que contém o Bhagavad Gita, mais difundido entre nós.

Nesse episódio ocorreu um fato marcante, mais uma vez referente à presa de Ganesha. Quando as canetas de Ganesha já não funcionavam mais e a recitação ainda estava em curso, para não romper o contrato que pedia que o texto fosse ininterrupto, ele quebrou sua própria presa e a mergulhou na tinta, podendo dessa forma dar sequência ao registro desse grande épico (são 18 volumes).

Ao longo dos séculos uma literatura própria de Ganesha se constituiu: Ganesha Upanishad e Ganesha Gita que contêm aspectos filosóficos, e Ganesha Purana que contém as fábulas mitológicas. Esses textos são multiplicados pela Índia à fora, refletindo as preferências religiosas e geográficas de seus escritores, uma obra aberta e até certo ponto inacabada.

Mas a sua curiosidade para saber a estória de Ganesha num corpo humano com cabeça de elefante, fica para outra vez…

 

Márua Roseni Pacce é analista junguiana, membro do Instituto Junguiano de São Paulo e da Associação Junguianado Brasil e da IAAP (InternationalAssociation for Analytical Psychology), com sede emZurique. Professora de Yoga há 37 anos, Márua fundou o Nucleo de Yoga Ganeshaem São Paulo, que completará 30 anos em 2012. Terapeuta corporal, estudou emdiversos países, além de visitar todos os anos a Índia, onde busca seu aprimoramento contínuo.

 

 

26abr
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Saraswati – deusa do conhecimento

Tirado do livro Ayurveda Cultura de Bem Viver, de Márcia De Luca e Lúcia Barros

É a deusa do conhecimento e, como consorte de Brahma, a mãe de toda criação. Também está ligada à fertilidade e à purificação. Ao pé da letra, Saraswati é aquela que flutua. No Rig Veda, ela representa um rio e a divindade que o controla.

Outros nomes conferidos a Saraswati podem ser:
- Sarada: a doadora da essência;
- Vagisvari: aquela que domina a fala;
- Brahmi: a mulher de Brahma;
- Mahavidya: o conhecimento supremo.

Saraswati é considerada a personificação de todo o conhecimento, artes, ciências, artesanato, habilidades e práticas espirituais. Como o conhecimento é o oposto da ignorância, representada pelas trevas, a cor associada a essa deusa é o branco. Ela costuma ser representada sentada sobre uma flor de lótus, acompanhada por seu cisne, que simboliza a beleza e a pureza. Nas mãos, em geral segura vina, instrumento com o qual toca os sons imortais dos Vedas; aksamala, o mala, que indica sua ligação com o espírito; e pustaka, livro que representa as ciências.

Está escrito nas sagradas escrituras Upanishads que: trascendemos a fome e a sede através das ciências seculares mas obtemos imortalidade somente através das ciências espirituais. Esse conceito é reforçado na representação de Saraswati porque ela aparece ao lado do pavão e do cisne. O pavão, com sua linda plumagem, significa o mundo em toda sua glória e a ignorância (avidya) advinda da ilusão mundana. O cisne, com sua capacidade de separar o leite das águas, representa a sabedoria (viveka) e o conhecimento (vidya).


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Márcia De Luca é praticante, estudante e professora de Yoga e Ayurveda, autora de diversos livros sobre o assunto e idealizadora do Yoga pela Paz.

11mar
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O poder dos arquétipos

Trecho do livro Ayurveda Cultura de Bem-Viver, de Márcia De Luca e Lucia Barros

Um arquétipo existe como potencial e fica estagnado até que seja desencadeado por uma situação no ambiente ou no insconsciente do indivíduo. Pode também ser conscientemente desencadeado por meio da intenção.

A ativação de um arquétipo liberta estados de energia, informação e percepção que reestruturam os acontecimentos. Todas essas forças são movidas pelo infinito poder de organização do universo – que opera fora das leis de tempo, espaço e casualidade. Esse poder é o maestro da orquestra que rege a sincronicidade – as famosas coincidências que de acidentais não têm nada, pois são criadas por nós mesmos.

Detentores de todo o conhecimento védico, os grandes rishis, sábios indianos, eram também os principais guardiões do conhecimento e da memória sobre as lendas de Mahabharata – a Grande Índia.

Essas lendas ou mitos dão significado às nossas vidas, criam um padrão cultural, uma visão de idealismo a ser aspirado. Servem também como uma ponte entre aquilo que é e aquilo que será ou poderia ser, alimentam ansiedades coletivas, desejos coletivos e uma imaginação coletiva. Conhecendo os mitos, adquirimos ferramentas que nos propiciam enfrentar todas as situações e passagens de nossas vidas de maneira mais sábia.

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Saraswati – Deusa do Conhecimento

Márcia De Luca é praticante, estudante e professora de Yoga e Ayurveda, autora de diversos livros sobre o assunto e idealizadora do Yoga pela Paz.

05abr
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Shakti, o Poder da Deusa

Trecho do livro Ayurveda Cultura de Bem-Viver, de Márcia De Luca e Lucia Barros

Segundo a filosofia hindu, a fonte e a sustentação da criação, seja no nível da matéria, seja no da mente, é somente uma: Shakti, a energia feminina.

Representada como uma serpente em movimento, Shakti é o poder que sobe por nossa coluna vertebral até o topo da cabeça, proporcionando o estado de samadhi, a hiperconsciência, a iluminação.

Essa energia é representada pela consorte – ou contrapartida – de cada divindade masculina. Assim, todos os membros da tríade hindu têm sua devi – divindade feminina – correspondente: Saraswati é a devi de Brahma; Lakshmi é a devi de Vishnu; Parvati é a devi de Shiva.

Todos nós temos as qualidades do masculino – ou de Shiva, que é a representação máxima da potência masculina, a força, a coragem e o poder; e do feminino – ou de Shakti, a energia feminina, a intuição, o amor e a compaixão.

Como tudo no universo depende do equilíbrio, segundo o Ayurveda, os homens precisam desenvolver Shakti, e as mulheres, Shiva.

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Márcia De Luca é praticante, estudante e professora de Yoga e Ayurveda, autora de diversos livros sobre o assunto e idealizadora do projeto Yoga pela Paz e da Filosofia de Bem-Viver. http://marciadeluca.com/

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