O Yin Yoga
Por Carolina Borghetti
Fotos Raphael Melo
O Yin Yoga considera o fluxo de energia nos meridianos do corpo. Tem como pilares conceitos do Hatha Yoga clássico, da medicina chinesa e do taoismo.
Tem como ponto central trabalhar a energia Yin, feminina, fria, inerte; assim, o trabalho prevê permanência longa em cada postura.
O professor Raphael Melo, que esteve recentemente no Brasil ministrando um workshop de Yin Yoga, estuda e ensina a técnica em Shangai, onde vive. Conheça a técnica e os benefícios nesta entrevista:
1. Quais as principais características e objetivos do Yin Yoga?
O Yin Yoga tem os mesmos objetivos de qualquer outra modalidade de Hatha Yoga, mas a prática parte de posturas sentadas ou deitadas, permitindo maior relaxamento e introspecção.
A base da prática é a energia Yin, de característica feminina, lunar, fria, menos móvel, mais terrena. O objetivo é ativar os pares de meridianos do corpo humano, através do relaxamento dos tecidos musculares e superficiais (Yang – masculino, solar, quente, dinâmico), com foco nos tecidos conjuntivos: os ossos, os ligamentos e as articulações (Yin).
O tempo de permanência nas posturas varia de acordo com o nível do praticante, cinco minutos é o mais comum, o que torna esse estilo algo muitas vezes desafiador.
A medicina chinesa diz que podemos ver um padrão de quatro maneiras específicas migrar de chi pelos canais de energia:
- método da acupuntura
- posturas para restaurar e melhorar a energia
- pranayama
- foco mental durante os movimentos
Dos quatro, apenas o primeiro não pode ser potencialmente acessado pela prática regular de Yoga.
2. Qual a origem desse método?
O Yin Yoga tem como pilares, além do Yoga, o taoismo e a medicina chinesa. É uma síntese do Yoga tradicional, meditação e pranayama (exercícios respiratórios) e objetiva a cura e o bem-estar.
Os dois principais expoentes da disciplina são Sarah Powers e Paul Grilley.
3. Como o método pode nos ajudar a equilibrar as disfunções mais comuns de hoje (como por exemplo insônia, estresse, hipertensão)?
Existem quatorze meridianos, sendo que durante a prática de Yoga podemos acessar doze (seis pares yin-yang). Quando os meridianos estão fora de equilíbrio, surgem disfunções que afetam diretamente física, energética, emocional e mentalmente o corpo humano. Exemplos:
- Rins − medo
- Fígado − raiva
- Baço − preocupação
- Pulmão − tristeza
- Coração − depressão
Os problemas oriundos do ritmo de vida acelerado e estressante podem ser equilibrados através da prática de asanas, respiração apropriada e meditação.
Através de específicas sequências de asanas, podemos estimular o sistema circulatório, linfático, urinário e endócrino. A respiração adequada e a meditação agem sobre o sistema nervoso central, diminuindo o estresse, os problemas de sono, entre outros.
De acordo com Sarah Powers, a prática de Yin Yoga deve seguir as seguintes indicações:
Estimular a atenção ao momento presente, ou seja, entrar na postura com qualidade, permitindo que a respiração flua calmamente, observar as diferentes sensações do corpo em cada ação executada no asana.
- Relaxar a musculatura e levar o foco para a articulação. Evitar movimento desnecessário, buscar permanência, passividade e inércia.
- Manter a permanência nas posturas para ativar os meridianos. Permanecer de três a cinco minutos em cada postura, é um bom começo, para facilitar e evitar preocupações, coloque um cronômetro ao lado e aproveite a sua prática!
Ao longo da sequência respire tranquila e profundamente, sempre pelas narinas; se você já pratica aplicar a respiração ujjayi, evitar demasiada pressão na região da traqueia, a respiração deve ser lenta e profunda.
Obs.: caso tenha os props (almofadão, bloco e cobertor) por perto, isso ajudará no preparo e execução das posições.
Raphael Melo é Professor de Yoga e publicitário, teve primeiro contato com o Yoga através da sua mãe Rosana Melo, professora há mais de 16 anos e fundadora do espaço Yoga Sampoorna. Iniciou a prática aos 7 anos de idade, estudando Yoga-teatro para crianças com João Soares e Carmen Perez. Em 2006, formou-se no curso livre de formação pelo Aruna Yoga, passando então a ensinar. Desde 2010 vive em Shanghai, China, ministrando classes, cursos e workshops como full time Yoga teacher na escola Yplus. Nos últimos anos aprendeu com professores de diferentes partes do mundo, tais como Sarah Powers (Yin Yoga), Dharma Mittra, Ana Forest, Patrick Creelman, Desiree Rumbaugh, entre outros. Ensinando com o coração e criatividade, Raphael acredita que é possível explorar a beleza e a diversidade rica do Yoga moderno sem perder o contato com os aspectos fundamentais e essências da disciplina milenar.












